Assistências

As assistências no futebol são o garante de algum dinheiro em caixa, contudo elas desde há uns anos tem vindo a decrescer. Motivos para isto poderiam ser os mais variados, desde os preços muito altos para assistir a um jogo, passando pelas transmissões televisivas em excesso e até mesmo a evolução da própria sociedade.
Começando pelos elevados preços, são um facto que depois de algumas vezes debatido começa a ser tido em conta por parte de algumas direcções, contudo ficam ainda muito aquém do que seria ideal tendo em conta a qualidade dos espectáculos em Portugal. Note se que no Beira-mar as coisas tem vindo a mudar, sendo o cenário actualmente mais positivo que à uns anos atrás e que em muitos outros clubes da dimensão do Beira-Mar ou até inferior.
Quanto à televisão já há muito tempo serve é uma grande desculpa para as fracas assistências no futebol português. Foi mesmo com o intuito aumentar as audiências nos estádios que foi criada a SportTv. Quem não se lembra de á uns dez anos ter quatro ou cinco jogos por fim-de-semana na RTP 1? Era um paraíso futebolístico, mas como o futebol move milhões, de pessoas e de contos, a SportTv foi criada, facto é que passados alguns anos o que mais aumentou foram as presenças assíduas nos cafés para ver a bola, pois o que era suposto obrigar os adeptos a largarem o sofá não teve esse efeito. Contudo com uma assinatura só ao alcance dos mais endinheirados houve alguém que ficou a lucrar e concerteza que não foram os adeptos. Os clubes recebem uma parte (razoável por sinal), mas seria muito melhor para o espectáculo desportivo encher um estádio com amantes da modalidade que fazer com que outros encham os bolsos através da venda de direitos televisivos. Chocante é o facto de devido a interesses estritamente monetários só serem transmitidos determinados jogos, refiro-me aqui a uma situação recente, aos jogos da UEFA do Guimarães, que como único representante português nesta competição merecia outro tratamento. Ninguém tem duvidas que se fosse o FCP, SLB ou SCP no lugar desta equipa, teria especiais de informação, directos a toda a hora e momento. Interesses superiores se elevam! Falo disto porque hoje deles amanha de nós. Quando estivermos numa competição europeia e não houver hipótese de ver o jogo ao vivo, ninguém se irá interessar pois não pertencemos ao monopólio.
Quanto ás mudanças na sociedade nos últimos anos, pode se falar da mudança de hábitos das pessoas com o nascimento de outras formas de ocupar os tempos livres. Veja-se um caso passado cá em Aveiro, todas as semanas quando o Beira-Mar joga em casa e eu vou para o estádio, passo junto ao Retail Park, (que fica a 1 minuto do estádio), e é ver o estacionamento cheio e as filas para entrar, enquanto que no estádio está tanta ou menos gente que nesse dito centro comercial. À uns anos seria impensável um cenário destes, que tal como acontece cá, por certo acontecerá em muitas outras cidades. São reflexos da sociedade actual em que vivemos, consumista que praticamente só aceita o sucesso imediato e que leva muita gente a só querer torcer pelo clube que mais títulos tem ou simplesmente está em estado de graça no momento, ou seja, uma das três cores.
Sendo o futebol um fenómeno de massas e uma industria milionária bem maior que há uns anos atrás, torna-se difícil de perceber o decréscimo de publico.
Terá de se analisar bem para onde nos estamos a encaminhar, pois os clubes nasceram do sentimento do associativismo e representação de uma região, viveram muitos anos dos seus associados e actualmente parece que primeiramente passaram a ser empresas, que representam uma marca, (patrocínio), e que vivem para quem lhes injecta capital, colocando os sócios/adeptos à margem.

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